Raízes locais: uma nova leitura sobre o Alemão. Estudantes do Ensino Médio pesquisam sobre a memória da favela

publicado em Notícias

por Lana Souza

 

O Raízes Locais – Memórias e Identidades é uma ação do programa CEPEDOCA – Centro de Pesquisa, Documentação e Memória do Complexo do Alemão desenvolvido pelo Instituto Raízes em Movimento e tem como proposta construir coletivamente junto às juventudes, estudantes do ensino médio, novas leituras sobre o Complexo do Alemão. Desenrolando ideias, circulando pelas favelas e outras partes da cidade, movimentando e construindo caminhos que respeitem a identidade e memória.

 

Os participantes do projeto Raízes Locais estão se apropriando cada vez mais dos conhecimentos desenvolvidos ao longo_MG_0025 desse processo que já dura 5 meses. Durante a primeira fase dessa formação, os estudantes participaram de encontros sobre técnicas de entrevista para pesquisas, geografia, história e identidade administrativa do Complexo do Alemão, geografia da cidade do Rio de Janeiro, georreferenciamento e outros temas.

 

A partir de todo aprendizado até então, os jovens começaram a fase de entrevistas com moradores e moradoras que vivem no Alemão há mais tempo. Entre os entrevistados(as) estão vizinhos(as) e parentes, o que para além da pesquisa colaborou com a sociabilidade deles e delas com esses personagens e com o território de uma maneira mais ampla e afetiva.

 

O trabalho desenvolvido nesta fase necessita de muita dedicação por parte dos 12 participantes. Durante o processo de revisão do material captado durante as entrevistas, eles fazem a identificação das histórias que possuem relação com a  memória relacionada a cada espaço do Complexo do Alemão. Estas histórias, acompanhadas de fotografias que as representam, estão sendo organizadas pelos jovens dentro do aplicativo “Mootiro”, que é a ferramenta de “web mapa” escolhida para utilização no projeto enquanto instrumento de mapeamento do local.

 

AÇÕES CONTÍNUAS DE FORMAÇÃO

 

Tendo conhecimento das memórias dos seus entrevistados, junto com as suas próprias histórias de vivência no Alemão, os estudantes realizaram no início de abril uma caminhada com a presença de alguns professores de escolas públicas do entorno do Complexo do Alemão e parceiros do Instituto Raízes em Movimento em parte do morro (da Avenida Central ao Morro dos Mineiros). Com essa experiência, os jovens puderam apresentar um pouco do contexto histórico da comunidade para os convidados com as suas próprias palavras e juntos trocarem novas experiências de aprendizado para além das salas de aula.

 

Com a fase do projeto sobre memória e identidade sendo bem desenvolvida pelos jovens, os próximos encontros de IMG_20170401_105136086_HDRformação visam uma formação a respeito de pautas políticas importantes para a localidade. Violações de direitos, comunicação comunitária e novas mídias são alguns dos temas em destaque. Um papo sobre escola pública, ensino médio e futuras possibilidades de ensino também farão parte dessa fase de encontros do Raízes Locais.

 

Como uma maneira de relacionar os espaços culturais e históricos da cidade com a formação em favelas pela qual eles estão passando, os estudantes participarão de uma visita a espaços como o Museu dos Pretos Novos, Museu da República, Morro da Conceição e CCBB, no Centro do Rio. Ao final de todo o processo desenvolvido no projeto, o aplicativo do mapa virtual (Mootiro) será disponibilizado para que todas e todos possam também adicionar as suas memórias e/ou referências sobre o Alemão.

 

“O objetivo do projeto é mais pessoas falando, contando a história do Alemão. Esses(as) jovens são os(as) novos(as) protagonistas do processo. Podem ser professores(as), ativistas, mobilizadores(as) sociais. O objetivo sempre é alcançar essa massa crítica de participação dentro da comunidade”, afirma o coordenador do Projeto, Alan Brum Pinheiro, que também é Diretor do Raízes em Movimento.

 

CONHEÇA A EQUIPE DO PROJETO

 


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