No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
Sophia de Mello Breyner Andressen
Obra Poética I
A poesia é rica em expressões ambíguas, que trazem duplo sentido a todo momento. Este trabalho de Sophia de Mello serve para mostrar que, como a sua poesia, nosso trabalho abordará conceitos e contextos similares a tal obra poética em destaque. Será nosso ponto de partida para atender as expectativas de representar um belo fundo do mar repleto de segredos e subjetividades, como mostram os rascunhos a seguir.