Relatoria
Nacional de
Educação
investiga
violações
no Complexo
do Alemão
Com
apoio de instituições
nacionais
e internacionais,
missão
acontece na
próxima
semana e vai
ouvir comunidades
locais e o
poder público
do Rio de
Janeiro
A
Relatoria
Nacional para
o Direito
Humano à
Educação
realizará
entre os dias
8 e 11 de
outubro missão
de investigação
sobre a violação
de direitos
educativos
de crianças,
jovens e adultos
que freqüentam
as escolas
e creches
públicas
do Complexo
do Alemão,
na cidade
do Rio de
Janeiro. As
denúncias
recebidas
pela Relatoria
informam que,
em decorrência
do conflito
entre as forças
de segurança
e o narcotráfico
nos últimos
meses, ocorreram
o fechamento
de escolas
e creches,
a diminuição
da jornada
escolar, o
crescimento
da evasão
escolar, o
impedimento
do exercício
da função
de profissionais
da educação
e forte impacto
emocional
na população
da localidade.
O confronto
aberto entre
forças
de segurança
pública
e narcotraficantes
entre os meses
de maio e
julho resultou
em mais de
quarenta mortes
e dezenas
de feridos.
Considerada
uma das regiões
mais miseráveis
do Rio de
Janeiro, com
uma população
estimada em
cerca de 200
mil habitantes,
a favela do
Complexo do
Alemão
apresenta
IDH (Índice
de Desenvolvimento
Humano) de
0,587, o que
a coloca no
nível
dos países
mais pobres
do continente
africano.
A área
conta com
menos unidades
de saúde
e escolas
do que outras
favelas do
Rio de Janeiro
com o mesmo
tamanho populacional.
“Além
de dar visibilidade
nacional e
internacional
à situação,
nossa expectativa
é que
possamos construir
com a comunidade
e com os poderes
públicos
municipal,
estadual e
nacional um
plano de ação
que contribua
para avanços
concretos
no cotidiano
da população”,
afirma Denise
Carreira,
Relatora Nacional
do Direito
Humano à
Educação.
Denise é
coordenadora
de Pesquisa
da organização
não-governamental
Ação
Educativa
e ex-coordenadora
da Campanha
Nacional pelo
Direito à
Educação.
O
que é
a Relatoria?
Com
o apoio do
Programa de
Voluntários
das Nações
Unidas e da
Procuradoria
Federal do
Direito do
Cidadão,
a Relatoria
Nacional do
Direito Humano
à Educação
é uma
iniciativa
da Plataforma
DHESCA (Direitos
Humanos Econômicos,
Sociais, Culturais
e Ambientais),
uma articulação
de sessenta
organizações
e redes nacionais
de direitos
humanos.
Inspirada
nos Relatores
Especiais
da ONU, a
Plataforma
possui mais
cinco relatorias
nacionais:
saúde,
moradia, alimentação,
meio ambiente
e trabalho.
A função
de Relator
não
é remunerada
e é
exercida por
pessoas com
grande reconhecimento
no campo em
que atuam,
responsáveis
por liderar
investigações
independentes
sobre violações.
Cada relatoria
nacional conta
com o apoio
de um assessor,
vinculado
ao quadro
das Nações
Unidas. Na
educação,
a assessoria
é exercida
pela educadora
Suelaine Carneiro,
ativista do
movimento
negro.
Visitas
às
escolas
Durante
a missão
ao Complexo
do Alemão,
serão
visitadas
três
escolas que
centralizarão
as denúncias
de violação
ao direito
à educação
em toda a
região:
o Ciep Theóphilo
de Souza Pinto
que fica em
Nova Brasília,
e as escolas
municipais
Leonor Coelho
Pereira e
Monsenhor
Rocha, localizadas
na Vila Cruzeiro.
No local,
a missão
conta com
o apoio do
Comitê
de Desenvolvimento
da Serra de
Misericórdia,
um coletivo
de 15 organizações
comunitárias
do Complexo
do Alemão,
Complexo da
Penha e Complexo
do Caricó.
Serão
ouvidos pais,
mães,
educadores,
estudantes,
lideranças
comunitárias,
entre outros.
A
equipe da
Relatoria
terá
audiências
com a secretária
municipal
de educação,
Sonia Maria
Corrêa
Mograbi, e
com os secretários
estaduais
Nelson Maculan
Filho, da
Educação,
e José
Mariano Beltrame,
da Segurança
Pública,
para discussão
dos problemas
e dos encaminhamentos
dados pelo
poder público.
Serão
realizadas
reuniões
com sindicatos
de profissionais
de educação,
organizações
não-governamentais,
movimentos
populares,
pesquisadores
e autoridades
do Ministério
Público.
A
missão
será
concluída
com uma
audiência
pública
no dia 11
de outubro,
às
12h, no SESC
Ramos,
promovida
pela Relatoria
em conjunto
com as Comissões
de Educação,
Direitos Humanos
e de Juventude
da Assembléia
Legislativa
do Estado
sobre a situação
da educação
pública
no Complexo
do Alemão
e em outras
comunidades
do Rio de
Janeiro. A
audiência
contará
com a presença
de representantes
do poder público,
da Frente
Parlamentar
da Criança
e do Adolescente
do Congresso
Nacional,
do Ministério
Público
Estadual e
Federal, de
organizações
internacionais
e de organismos
das Nações
Unidas, visando
o acolhimento
de denúncias
e a discussão
de um plano
de ação
destinado
ao enfrentamento
da problemática.
A
organização
de uma missão
A
missão
da relatoria
está
baseada em
uma forte
articulação
com as organizações
locais. A
organização
de uma missão
envolve cinco
etapas:
Qualificação
da denúncia
–
levantamento
de informações
sobre a problemática.
A partir da
denúncia
sobre o caso
de violação
do direito
humano à
educação,
a equipe da
Relatoria
inicia o processo
de levantamento
de informações
sobre a problemática
e contato
com organizações
da sociedade
civil e autoridades
do poder público
local para
verificar
a pertinência
e o interesse
na parceria
para a realização
da missão.
Realização
da missão
– com
apoio das
organizações
e autoridades
locais comprometidas
com a questão,
é realizada
a missão,
que envolve
visitas às
comunidades
atingidas,
entrevistas
com famílias,
educadoras
e educadores,
dirigentes
escolares,
alunos (crianças
a adultos);
reuniões
com autoridades
locais; e
a realização
de uma audiência
pública
com a população
atingida e
autoridades
para a discussão
da situação
e a construção
de um plano
de trabalho
que enfrente
o problema.
Conforme as
condições
e o interesse,
a relatoria
realiza também
um momento
de formação
sobre o direito
à educação
e sobre as
formas como
a população
pode exigi-lo
junto às
organizações
locais.
elaboração
do relatório
– a
equipe da
relatoria
elabora o
relatório
contendo a
denúncia,
o contexto,
as vozes da
comunidade
e das autoridades
e o plano
de ação
pactuado para
o enfrentamento
do problema.
Entrega
do relatório
às
autoridades
e divulgação
nacional e
internacional
– o
relatório
é divulgado
junto à
imprensa nacional
e internacional
e entregue
às
autoridades
nacionais,
estaduais
e municipais
para a tomada
de providências.
Também
será
apresentado
a instâncias
internacionais,
em especial,
à Organização
dos Estados
Americanos
(OEA).
Seguimento
– depois
de um período
pactuado,
é realizada
uma missão
de seguimento
para monitoramento
da implementação
do plano de
ação.
O
resultado
da investigação,
o que inclui
a construção
de um plano
de ação
para superação
do problema,
é divulgado
em todo o
mundo e entregue
às
instâncias
nacionais
e internacionais.
A Relatoria
de Educação
já
definiu os
temas das
próximas
missões:
educação
no sistema
prisional
e a educação
de imigrantes
ilegais no
país.
Apoio
à imprensa
Suelaine
Carneiro (11)
3151-2333,
r. 132 e 108
Mahine (Plataforma
DHESC) –
(21) 2536-7350
Marina Gonzalez
(Observatório
de Educação/Ação
Educativa)
(11) 3151-2333,
r. 170
Diones Soares
(Campanha
Nacional pelo
Direito à
Educação)
(11)3151-2333,
r.140
Jamila Venturini
(Comunicação/Ação
Educativa)
(11) 3151-2333,
r. 139
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