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Rio Com Vida teve a força do Hip-Hop
David Silva
O Hip-Hop é uma manifestação cultural com características próprias que, em sua essência, discute sobre o contexto e as mazelas sociais. Perfeito para compor com as idéias da versão carioca do Fórum Social Mundial (FSM) de 2008. Jovens, a maioria de periferia, músicos, grafiteiros, artistas que, com letras, cores e rimas fortes, faziam refletir todos(as) que passavam pelo espaço que ocuparam. Quem participou do Rio Com Vida presenciou grandes momentos, acima de tudo, harmônicos com esse pessoal.

Quatro elementos formam esta cultura nascida das ruas: o MC (rapper), o DJ, o B.boy (dança) e o graffiti. Ambos estavam representados no Aterro do Flamengo, dia 26 de janeiro, onde foi criado um grande elo entre os que estavam inscritos para se apresentarem e o público que, se mesclavam entre praticantes ou não do movimento.
Mesmo embaixo de muita chuva, os grupos não perdiam o entusiasmo e o foco de expandir suas ideologias em letras conscientes ou em cores, como no caso do grafite. “O movimento Hip-Hop é forte, e além de forte tem uma rapaziada que está nele não só pelo retorno financeiro e isso faz com que a causa seja maior ainda”, define o MC e grafiteiro, Fael.
Para ele, eventos como o FSM, devem acontecer com mais freqüência, pois é um espaço importante para enriquecer o debate em torno das questões sociais e para expor para a sociedade que é possível transformar o mundo com cultura. “O debate é uma troca de informação onde todos ganham, só acrescenta (...), é possível vencer, crescer através do hip-hop, se a sociedade se conscientizar e apoiar o movimento”, conclui.
O que esperam são resultados positivos, no entanto acreditam ser a longo prazo e que depende do interesse e participação ativa da sociedade. “Eu sou a favor de botar a semente na terra e regar até ela florescer e vou continuar fazendo parte disso (do hip-hop)”, argumenta o Rapper Marechal.
O público interage
O Rio Com Vida foi uma ação que mobilizou e interagiu diretamente com os (as) participantes e o grafite não fez diferente. Um espaço que chamou a atenção das pessoas foi a lona de 20 metros esticada numa grade, onde grafiteiros, da ONG Raízes em Movimento do conjunto de favelas do Alemão, retratavam a principal idéia do FSM: a união das pessoas por um mundo melhor.

Para os artistas do grupo, o graffiti e o FSM formaram uma combinação perfeita. As propostas são próximas, de unir os povos e colaborar com a transformação social. E defendem isso com propriedade e possibilidades reais de mudança. Para Wallace Bidu, “o graffiti é uma das armas fundamentais e de grande valia para esse processo de transformação que estamos passando ao longo dos anos”, diz o grafiteiro e integrante da ONG.
A produção que será exposta na próxima edição do Fórum, em Belém, pôde contar com a colaboração do público que deixou sua mensagem. Foi um momento de interação e coletividade. O coordenador artístico do Raízes em Movimento, Mário Bands, diz que “o interessante foi a troca com as pessoas, a diversidade e a união de todos para a construção de, realmente, termos um futuro melhor”. 
Bands que, também é grafiteiro, faz um alerta para a importância e a sensibilidade do trabalho desenvolvido pelo grupo com o apoio dos presentes naquele dia: “Graffiti é harmonia, é paz e ferramenta de comunicação. Para quem sabe usar. O legal é saber que as pessoas têm a possibilidade de estarem participando e de saberem que podem fazer arte”, acentua.
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