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Racismo ambiental
David Silva

O que gera racismo ambiental? Discriminação e falta de políticas urbanas e habitação para as classes mais populares estão entre os fatores. O tema é um dos principais debates promovidos pelas Redes de Justiça Ambiental e aquelas que contrapõe a Remoção de Favelas e que brigam pela garantia de moradia digna e por uma estratégia participativa de habitação.


Foto: Ratao Diniz

Migrações causaram um vasto aumento populacional no Rio de Janeiro, gerando, assim, uma urbanização desorientada. O estado teve sua população duplicada em 50 anos. Uma deficiência de políticas habitacionais e de acesso a terra fizeram com que a população construísse suas casas muitas vezes localizadas em terrenos valorizados. Tais construções são acusadas de infringir a legislação ambiental, causando poluição e degradação natural. Assim se pauta o discurso da remoção.

Mas, pesquisadores retrucam: “Quem poluiu a Baía de Guanabara, não foram as casas construídas a suas margens, foram as indústrias que poluíram. Indústrias que jogam lixo químico dentro da Baía e dentro dos rios. E ai, tentam mostrar que é só uma casa lá.....por isso que devemos mudar o foco disso e promover discussões dando nomes aos bois”, argumenta o representante da Central de Movimentos Populares, Marcelo Braga.

E conclui, “O pobre mora onde é possível. A sociedade não é construída para ele e sim para o capital”.


Remoção, capital e preconceito


O capital e o preconceito caminham juntos na prática do racismo ambiental. Para o sociólogo Robert Bullard, “as instituições governamentais, jurídicas, econômicas, políticas e militares reforçam o racismo ambiental e influem na utilização local da terra”. Muitas vezes, são usadas normas ambientais para criminalizar moradores – negros, pobres, nordestinos –, removê-los e investir no capital imobiliário ou nessas instalações industriais.

O pesquisador da Fiocruz, Marcelo Firpo, diz que é um desafio mas tem que se pensar em soluções plausíveis, pois “o ambientalismo está sendo utilizado pelas forças de mercado, pelo setor imobiliário e por uma série de setores produtivos, inclusive setores ligados ao agro-negócio, como elemento de radicalização da exclusão social”.

No Brasil, essa realidade está presente desde os tempos da chegada dos portugueses e na forma como se deu o processo de abolição da escravatura. “Vai ter um negro na casa grande servindo, nas senzalas, nos engenhos e, no momento que você não pode mais utilizá-lo, começa simplesmente a escorraçá-lo, a querer se livrar dele”, lembra uma das coordenadoras da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, Tânia Pacheco.

Para Tânia, que também é consultora da Fase, diz que do ponto de vista da cidade, “há o movimento de cada vez mais fixar novos limites, e esses limites são dados pelo capital e populações imobiliárias que vão empurrando essas pessoas cada vez mais para longe”.

Vânia Guerra, moradora da Ilha de Marambaia, uma das poucas comunidades quilombolas que ainda resistem às represálias que julgam a comunidade como um espaço que macula o meio ambiente e que, por isso, precisa ser removida, diz que todo esse tratamento é racismo ambiental. “Não estamos sendo tratados nem respeitados como cidadãos, como gente, somos considerados como algo que pode ser deslocado, botado fora, deixado de lado”, diz.

É preciso criar um diálogo construtivo e participativo, convocando todas as partes envolvidas na situação, pois há “situações que só têm solução quando as pessoas sentam juntas e têm voz e vez de falar. Enquanto isso não acontecer, não há solução”, conclui Vânia Guerra.

 

 

 
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