Meio ambiente
no Complexo
do Alemão.
Meio
ambiente no
Complexo do
Alemão,
ou melhor
meio ambiente
na Serra da
Misericórdia
que também
abrange os
Complexos
da Penha e
do Caricó
e outras localidades.
Pensar
que nessa
região
pudesse haver
uma “consciência
ambiental”
era uma realidade
longe que
hoje começa
a estar mais
próxima,
porém
há
muito tempo
moradores
utilizam-se
das “áreas
verdes”
da serra para
os mais diversos
fins. Quem
foi morador
antigo e não
se lembra
dos festivais
de balões
na pedreira,
no futebol
na matinha,
as tardes
no Parque
Ari Barroso,
os pic-nics
e até
mesmo as caminhadas
realizadas
pelos mais
aventureiros
cortando de
um ponto ao
outro da serra?
Acho que falar
em “parque”
ou “Área
de Proteção
Ambiental”
nesse contexto
não
é tanto
uma novidade
para o imaginário
popular.
Marcada
por um passado
de empobrecimento
ambiental
caracterizado
pelos ciclos
agrícolas
do açúcar,
café
e da criação
de gado, e
atualmente
por todas
as mazelas
sociais que
marcam a região,
a historia
ambiental
da Serra da
Misericórdia
começa
a mudar seu
rumo após
o Decreto
Municipal
19.144 de
14/11/00 que
cria a Área
de Proteção
Ambiental
e Recuperação
Urbana –
APARU Serra
da Misericórdia,
fruto da reivindicação
da sociedade
civil expressa
através
de associações,
grupos e organizações
locais.
Em
1997 surge
na Rua Sergio
Silva bairro
do Engenho
da Rainha
o grupo Verdejar
Proteção
Ambiental
e Humanismo
denunciando
o descaso
com os moradores
daquela rua
e convencendo
a comunidade
de que seria
importante
preservar
a área
verde que
ainda lhe
restava. O
Verdejar surgiu
com a grande
reivindicação
da criação
de um grande
parque sócio-ambiental
utilizando
a área
das pedreiras
para instalação
de equipamentos
sociais e
nas áreas
verdes espaços
de lazer,
projetos de
agricultura
familiar reflorestamento.
Moramos
em uma das
regiões
mais adensadas
populacionalmente
da cidade,
dados do IBGE
revelam que
no Complexo
do Alemão
temos de 20100
a 25090 habitantes
por KM²,
maior do que
70% dos municípios
brasileiros,
se tivermos
em vista que
o Complexo
faz parte
do Maciço
da Misericórdia
que abriga
outros cinco
grandes conglomerados
de favelas
em 27 bairros,
estendendo-se
do bairro
de Bonsucesso
a Rocha Miranda,
temos mais
de um milhão
de habitantes
em todo o
entorno misericordiano,
o que, somado
a questões
socioeconômicas,
torna relevante
a preservação
das poucas
áreas
verdes ainda
restantes.
Se
não
bastasse o
inchaço
populacional,
convivemos
com a extração
de granito
realizada
por três
mineradoras
(pedreiras)
bem próximas
a nossas casas,
o que gera
impactos no
aumento de
temperatura
climática
da região,
na saúde
humana e em
inúmeros
outros problemas
de convivência.
A
omissão
do poder publico
perpassa por
todos os outros
problemas
e merece destaque.
Recentemente
ouve-se falar
na criação
do “Parque
Municipal
da Serra da
Misericórdia”
pela prefeitura
da cidade.
O fato é
que se houvesse
interesse
publico em
criar tal
parque, bastaria
que a prefeitura
regulamentasse,
ou em outras
palavras,
definisse
o que fazer
na já
criada desde
2000 Area
de Proteção
Ambiental
e Recuperação
Urbana –
APARU.
Ao
decretar o
parque, a
prefeitura
faz uma sobreposição
de decretos
e contraditoriamente
define usos
diferentes
para uma mesma
região,
curiosamente
o “novo
parque”
esta localizado
na área
das pedreiras
e tende tornar
publicas suas
terras, como
vai ser feito
isso? as pedreiras
irão
vender suas
terras a prefeitura?
Ou doa-las?
E os instrumentos
previstos
na legislação
ambiental
brasileira
que obriga
agentes degradadores
a investir
na recuperação
da área
degradada?
O Verdejar
esse ano faz
dez anos de
existência
e vem pouco
a pouco avançando
na sua trajetória
construindo
propostas
viáveis
para a Serra
da Misericórdia
através
de trabalhos
de incentivo
a agricultura
familiar,
criação
trilhas interpretativas
para educação
ambiental,
circuitos
de visitação
as áreas
verdes e recuperação
de áreas
degradadas
por meio de
enriquecimento
do solo.
No
ultimo dia
25 realizamos
na UNISUAM
em Bonsucesso
o “3º
Encontro Serra
da Misericórdia:
Água,
Ambiente e
Cidadania”
com a proposta
de reacender
o debate sobre
a preservação
ambiental
local. A atividade
também
marcou o inicio
do Projeto
Integrando
o Ambiente
na Misericórdia
iniciativa
de assessoria
para a formação
dos grupos
populares
organizados
atuantes em
todo o perímetro
geográfico
da serra objetivando
a formação
de uma grande
rede de iniciativas
sócio-ambientais
em todo o
maciço.
Em outubro
haverá
o evento “Verdejar
10 Anos’
comemorando
e ressaltando
os avanços
e entraves
do movimento
ambientalista
pela Serra
da Misericórdia
durante sua
trajetória,
assim teremos
a 3º
edição
do Circulando
no Complexo
do Alemão
unificada
a proposta
de comemoração
dos 10 anos
do Verdejar
e com um recorte
ambiental
provocando
a população
a pensar que
uma nova consciência
ambiental
é possível
para a Serra
da Misericórdia
e suas comunidades.
Diogo
Mauro da Silva
Fernandes
Coordenador
Verdejar Proteção
Ambiental
e Humanismo.
|