Contradições
da política
de segurança
para as favelas
A
atual política
de segurança
pública
está
embasada na
premissa que
jovens moradores
da favela
são
suspeitos
até
provem o contrário
e que o tráfico
de drogas
deve ser combatido
no varejo,
pois é
ali que ele
é visível,
assim ele
deixará
de existir.
Seria uma
ingenuidade
se não
fosse hipocrisia
de um governo
que propagava
a não
utilização
do Caveirão,
maior símbolo
de repressão
à população
da favela,
quando ainda
estava em
campanha eleitoral.
A criminalização
da pobreza
como base
da atual política
de segurança
pública
deve ser denunciada
por descumprir
o direito
mais básico
do cidadão,
o direito
à vida.
Todos os outros
direitos são
posteriores
a esse direito
que fundamenta
uma sociedade.
“O
Pacto Internacional
sobre os
Direitos
Civis e
Políticos,
aprovado
pela XXI
sessão
da Assembléia
Geral das
Nações
Unidas,
reza que:
1- O direito
à
vida é
inerente
à
pessoa humana.
Este direito
deverá
ser protegido
pela lei,
ninguém
poderá
ser arbitrariamente
provado
de sua vida
(Parte III,
art. 6).”
O
Brasil é
signatário
desse pacto,
assim como
também
o é
da Declaração
Universal
dos Direitos
do Homem que
no seu artigo
3º cita:
Todo o indivíduo
tem direito
a vida,
a liberdade
e a segurança
pessoal.
A nossa constituição
cita no artigo
5º que:
“Todos
são
iguais perante
a lei, sem
distinção
de qualquer
natureza,
garantindo-se
aos brasileiros
e aos estrangeiros
residentes
no País
a inviolabilidade
do direito
à
vida...”.
Estamos num
Estado de
direito pleno
e é
inadmissível
que não
se tenha respeito
às
regras construídas
democraticamente.
No Complexo
do Alemão
é o
Poder Público
que não
vem cumprindo
as leis estabelecidas.
Aqui pena
de morte é
prática
normal de
incursão
policial,
seja você
bandido ou
não,
pois o campo
de guerra
é instaurado
e a população
fica exposta
e sem o seu
direito à
VIDA.
Será
que é
tão
difícil
perceber que
essa política
de segurança,
mesmo que
a carnificina
continue,
será
inútil
para resolver
o problema?
Sem considerar
que o tráfico
de drogas
seja uma teia
internacional
e que sua
lógica
perversa se
utiliza de
um terreno
fértil
de carências
de acessos
à vida
digna nas
favelas para
o enriquecimento
de pessoas
poderosas
nos três
poderes da
república,
o que será
posto numa
eventual eliminação
do varejo
do tráfico?
Seremos oprimidos
pelos milicianos?
O Estado deve
se fazer presente
com educação,
saúde,
saneamento
e outros serviços
públicos
com a mesma
qualidade
e dificuldades
encontradas
em outros
espaços
da cidade
e não
com serviços
terceirizados
por se tratar
de favelas,
desqualificando
o serviço
prestado.
O cidadão
da favela
paga o mesmo
imposto que
a senhora
da Lagoa paga
quando compra
um quilo de
feijão.
Se o poder
público
deseja ter
uma ação
eficiente
deve abrir
o debate junto
a sociedade,
deve se debruçar
sobre os dados
sociais nessas
localidades
e construir
programas
massivos que
atendam à
totalidade
de nossa juventude.
Recursos públicos
não
devem ser
desperdiçados
com ações
inócuas
ou pontuais
junto às
instituições
sociais. Estas
devem ser
parceiras,
nas suas especificidades,
de uma proposta
macro e estruturada
de intervenção
social com
diretrizes
definidas
e avaliadas
pelo poder
público.
A informação
e a promoção
de diálogos
na favela
são
primordiais
para o combate
ao show midiático
promovido
por essa política
de segurança
pública
que taxa de
conivência
qualquer manifestação
contrária,
além
de se utilizar
dos maiores
veículos
de comunicação
para legitimar
noutros espaços
da cidade
a idéia
dessa política
de segurança
ser eficaz,
como demonstra
o levantamento
feito pelo
O Globo /
Ibope por
telefone (não
citam a área
da cidade)
com mil pessoas.
Nós
do Raízes
em Movimento
realizamos
nas comunidades
do Complexo
do Alemão
um levantamento
com a mesma
pergunta e
o resultado
traduz o sentimento
daqueles que
são
as maiores
vítimas
dessa opressão
e que deveria,
pelo descaso
histórico
do poder público,
ser o segmento
da sociedade
que mais precisa
de atenção
pela sua vulnerabilidade
social.
O Complexo
do Alemão
não
está
em paz.
Alan
Brum Pinheiro
Coordenador
Geral
Grupo Sócio
Cultural Raízes
em Movimento
alan@raizesemmovimento.org.br
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