A
COBERTURA DA
MÍDIA
SOBRE AS FAVELAS
David da Silva
*
Como estudante
de comunicação
e principalmente
como morador
de favela,
facilita a
percepção
relacionada
ao descaso
dos meios
de comunicação
nas coberturas
relacionadas
a ela, como
se já
não
bastasse à
ausência
na atuação
do poder público,
ainda é
atacada pela
construção
ideológica
e estereotipada
que as mídias
tradicionais
fomentam na
sociedade.
Com base
em fatos podemos
afirmar que
a mídia
tem direcionado
seu comportamento
para denegrir
a imagem das
favelas, ampliando
o grau de
generalização
desses locais
enquanto um
espaço
inimigo do
restante da
sociedade
e que a mesma
deva cada
vez mais ficar
afastada.
Esse sentimento
é naturalmente
introjectado
pelo receptor,
em particular
aquele de
classe popular
que prefere
acreditar
nisso a se
responsabilizar.
Esses fatores
são
originários
de uma cultura
midiática
que se padronizou.
As favelas
brasileiras,
segundo as
informações
organizadas
pelas mídias
tradicionais
e diárias,
são
sinônimos
de problemas
sociais, a
violência
passa a ser
a temática
mais explorada
por esses
veículos
estereotipando
ainda mais
as favelas,
ou seja, fazem
com que se
construa uma
imagem deturpada
e problemática
para as pessoas
que nelas
vivem. Fica
parecendo
que para os
meios de comunicação
essas pessoas
não
existem, o
tráfico
de drogas
ainda é
seu maior
alvo de noticias
e esquecem
que favela
é muito
mais complexa
do que está
exposto.
Na minha
opinião
tudo isso
tem um motivo
óbvio.
As elites
e grandes
empresas sempre
foram as maiores
manipuladoras
das noticias
e formadoras
de opinião.
E faz-se necessário
o enquadramento
a sua realidade,
mesmo sem
levar em conta
as diferenças,
principalmente
sociais, na
hora de veicular
seus interesses.
Todo discurso
passa a ser
encarado como
mercadoria,
é uma
verdadeira
banalização
da violência
e de suas
vítimas.
Tudo isso
passa a ser
visto como
um grande
espetáculo.
As guerras,
as incursões
policiais
em favelas,
as crianças
na África
que morrem
de sede e
fome e outros
flagelos que
atingem a
humanidade
são
simplesmente
imagens que
nos agradam
sem mesmo
percebermos
suas demandas
reais. Originando
a um fetichismo
mercadológico.
É a
própria
alienação
formada, onde
o espetáculo
se realiza
absolutamente.
Grandes
empresas de
comunicação
exploram a
miséria
das favelas
para se propagarem
perante essa
sociedade
do espetáculo.
Um fato que
podemos citar
como exemplo
é um
programa de
uma das maiores
emissora de
televisão
do mundo,
expor em capítulos
semanais invasões
do Caveirão
em favelas
cariocas.
Foi a produção
de um reality
show para
mostrarem
as ações
das policias
e todo perigo
que os mesmos
enfrentam.
Mas não
a insegurança
que eles passam.
A mídia
passou a ser
uma espécie
de porta voz
da polícia,
pois a verdade
não
é mostrada
de fato. Como
se dão
essas operações,
a relação
entre Caveirão
e moradores,
como está
a família
em casa que
a qualquer
momento pode
entrar uma
“bala”
pela porta,
o abuso do
poder, isso
não
é divulgado.
O que mostram
são
os tiros disparados
por traficantes
que fazem
justificar
a entrada
de um veiculo
blindado em
favelas onde
menos de 1%
da população
é envolvida
com o tráfico.
E assim se
faz mais um
espetáculo
midiático.
E para piorar,
no dia seguinte
os jornais
e as emissoras
de televisão
divulgam as
mortes ocorridas
por balas
perdidas,
mas sem se
preocupar
com aquela
vida, afinal
o povo precisa
avaliar e
saber onde
são
os locais
mais “violentos”
do Rio para
não
passarem nem
perto.
Isso tudo
porque atualmente
vivemos numa
sociedade
de consumo
e essa sociedade
do espetáculo
é a
forma mais
perversa desse
consumismo.
A mídia
passou a trabalhar
a violência
nas favelas
como um grande
espetáculo,
o consumo
de noticias
se baseia
nessa temática.
As capas de
jornais, os
noticiários
televisivos,
enfim, todo
tipo de veiculação
de notícias
acabam construindo
uma realidade
inexistente,
mas que passa
a ser real
para aqueles
que convém.
Simplesmente
com o intuito
de venda e
retorno financeiro
imediato.
A prioridade
não
é informar
a sociedade.
A mídia
é formadora
de opinião
e a mesma
utiliza isso
para proveitos
e interesses
individuais.
O conflito
entre policia
e trafico,
a miséria,
não
passam de
um mercado
de noticias,
e até
as demandas
são
divulgadas
através
de fatos relacionados
à desgraça.
Aliás,
é este
tipo de noticia
que leva a
mídia
numa favela.
Não
é difícil
chegar a estas
conclusões,
afinal ao
abrir qualquer
jornal, ou
assistir a
um programa
jornalístico
tradicionais,
não
encontrará
nada dizendo
sobre os trabalhos
locais, grupos
que se organizaram
para sanar
dificuldades
vividas pelos
moradores,
a cooperatividade
entre as pessoas,
o trabalhador
que sustenta
sua família
com a vergonha
do salário
mínimo,
enfim, a favela
passou a ser
através
do discurso
midiático,
a verdade
de um momento
falso.
*
coordenador
de comunicação
Grupo Sócio
Cultural Raízes
em Movimento
davi.amen@raizesemmovimento.org.br
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